1. Visão geral do período
Até dezembro de 2025 foram registradas 539 denúncias provenientes do canal Disque 100. O maior volume ocorreu no início do ano, quando o trabalho foi iniciado e foram recebidas denúncias provenientes de anos anteriores. Observa-se variação significativa no volume mensal de registros, indicando oscilações tanto no acesso ao canal quanto em fatores externos como campanhas de divulgação, sazonalidade e maior conscientização da população.
Das 539 denúncias recebidas pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania em 2025, 429 já foram apuradas e respondidas à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos e 110 permanecem com processo aberto, aguardando apuração e resposta no sistema federal.
2. Distribuição mensal (julho a dezembro)
| Mês | Denúncias | % do período |
|---|---|---|
| Julho | 12 | 8,0% |
| Agosto | 37 | 24,7% |
| Setembro | 17 | 11,3% |
| Outubro | 24 | 16,0% |
| Novembro | 27 | 18,0% |
| Dezembro | 33 | 22,0% |
| Total do período | 150 | 100% |
- Julho → Agosto: aumento expressivo de 208,3%, com crescimento abrupto no número de denúncias.
- Agosto → Setembro: redução de 54,1%, queda significativa após o pico de agosto.
- Setembro → Outubro: aumento de 41,2%, retomando a tendência de crescimento.
- Outubro → Novembro: crescimento de 12,5%, elevação moderada.
- Novembro → Dezembro: aumento de 22,2%, consolidando tendência de alta no fim do ano.
Agosto concentrou o maior volume do período (24,7%). Após a queda de setembro, observa-se trajetória contínua de crescimento entre outubro e dezembro, período que reúne 56% das denúncias do semestre, indicando possível intensificação da demanda no último trimestre. Esse comportamento pode estar relacionado ao agravamento de situações de vulnerabilidade, maior acesso à informação ou maior confiança da população nos canais de denúncia.
3. Perfil das vítimas — gênero
As mulheres concentram a maior parte das denúncias, representando 68,5% dos registros. O dado evidencia a permanência das mulheres como principal grupo impactado pelas violações monitoradas pelos canais Disque 100 e Ligue 180, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas de proteção, prevenção e enfrentamento às violências de gênero.
| Gênero | % |
|---|---|
| Mulher | 68,5% |
| Várias vítimas | 30,5% |
| Homem | 1,0% |
4. Perfil das vítimas — cor/raça
| Cor/raça | % |
|---|---|
| Branca | 51,3% |
| Negra | 32,2% |
| Parda | 11,0% |
| Não especificado | 5,5% |
5. Faixa etária das vítimas
A análise etária demonstra que as pessoas idosas são o grupo mais afetado, concentrando a maior parte das denúncias registradas.
| Faixa etária | % |
|---|---|
| 65 a 69 anos | 14,5% |
| 80 a 84 anos | 10,5% |
| 60 a 64 anos | 10,5% |
| 70 a 74 anos | 10,0% |
| Menor de 18 anos | 10,5% |
| 18 a 24 anos | 10,0% |
Esses dados indicam elevada incidência de violações contra a população idosa, especialmente nos grupos etários mais avançados, reforçando a necessidade de fortalecimento das políticas de proteção à pessoa idosa e de ações de prevenção à negligência e à violência doméstica e institucional.
6. Localização das ocorrências
| Bairro | % |
|---|---|
| Paecará | 24,7% |
| Enseada | 11,7% |
| Morrinhos | 7,0% |
| Jardim Boa Esperança | 6,1% |
Também aparecem entre os territórios registrados: Centro, Vila Zilda, Santo Antônio e Monteiro da Cruz.
O bairro Paecará apresenta o maior volume de denúncias, respondendo por quase um quarto dos registros, o que o caracteriza como território prioritário para ações de prevenção, fiscalização e fortalecimento da rede socioassistencial. A concentração territorial sugere a necessidade de estratégias focalizadas, com atuação integrada entre assistência social, saúde, direitos humanos e segurança pública.
7. Tipos de violação denunciados
| Tipo de violação | Registros | % |
|---|---|---|
| Tortura psíquica | 292 | 68,1% |
| Negligência | 290 | 67,6% |
| Exposição de risco à saúde | 241 | 56,2% |
| Maus-tratos | 183 | 42,7% |
| Constrangimento | 175 | 40,8% |
| Insubsistência afetiva | 149 | 34,7% |
| Ameaça ou coação | 149 | 34,7% |
| Violência patrimonial | 109 | 25,4% |
| Abandono | 101 | 23,5% |
| Exposição | 80 | 18,6% |
| Agressão ou vias de fato | 78 | 18,2% |
| Insubsistência material | 67 | 15,6% |
| Difamação | 48 | 11,2% |
| Calúnia | 25 | 5,8% |
| Injúria | 25 | 5,8% |
| Injúria racial e étnica | 19 | 4,4% |
| Liberdade de direitos individuais | 16 | 3,7% |
| Lesão corporal | 15 | 3,5% |
| Autonomia de vontade | 15 | 3,5% |
| Discriminação | 12 | 2,8% |
| Tortura física | 11 | 2,6% |
| Cárcere privado | 6 | 1,4% |
| Importunação sexual | 5 | 1,2% |
| Violência institucional | 5 | 1,2% |
| Estupro | 2 | 0,5% |
| Assédio sexual | 2 | 0,5% |
| Violência contra a mulher | 2 | 0,5% |
| Demais violações registradas | — | menos de 1% cada |
Os tipos de violação estão fortemente associados a contextos de convivência familiar e cuidado, especialmente envolvendo pessoas idosas e com deficiência. A elevada incidência de tortura psíquica e negligência indica situações prolongadas de sofrimento emocional, abandono e ausência de cuidados adequados, demandando respostas contínuas e intersetoriais.
8. Grupos em situação de vulnerabilidade
| Grupo | Registros | % |
|---|---|---|
| Pessoas idosas | 289 | 67,4% |
| Pessoas com deficiência | 123 | 28,7% |
| Mulheres | 107 | 24,9% |
| Cidadão/família | 25 | 5,8% |
| População LGBTQIA+ | 4 | 0,9% |
| Crianças e adolescentes | 2 | 0,5% |
| População em situação de rua | 1 | 0,2% |
A predominância das pessoas idosas confirma o caráter estrutural das violações contra esse grupo, frequentemente associado à dependência, ao isolamento social e à fragilização dos vínculos familiares. A presença significativa de pessoas com deficiência e mulheres reforça a sobreposição de vulnerabilidades.
9. Procedência das denúncias
| Resultado | % |
|---|---|
| Não foi possível apurar | 45,2% |
| Não procedente | 33,1% |
| Procedente | 21,7% |
O elevado percentual de denúncias não apuradas evidencia desafios estruturais no processo de verificação, especialmente relacionados à ausência ou inconsistência de informações fornecidas. Ainda assim, o percentual de denúncias procedentes demonstra a relevância do canal como instrumento efetivo de identificação de violações reais.
10. Encaminhamentos realizados
| Encaminhamento/desfecho | Registros | % |
|---|---|---|
| Sem encaminhamento registrado | 157 | 36,6% |
| Vítima não localizada | 63 | 14,7% |
| Endereço não localizado | 56 | 13,1% |
| CREAS | 49 | 11,4% |
| CAPS | 33 | 7,7% |
| Vítima faleceu | 28 | 6,5% |
| Vítima mudou-se | 27 | 6,3% |
| CRAS | 25 | 5,8% |
| SESAU (USAFA, UBS e outros) | 25 | 5,8% |
| SEDEAS | 7 | 1,6% |
| DDM — Delegacia da Mulher | 5 | 1,2% |
| Polícia Militar | 5 | 1,2% |
| Demais encaminhamentos | — | menos de 1% cada |
O percentual significativo de registros sem encaminhamento aponta limitações operacionais e impedimentos objetivos, como a não localização da vítima ou do endereço, óbito ou mudança de domicílio. Esses fatores reforçam a necessidade de qualificação dos registros iniciais e do fortalecimento da articulação com a rede territorial.
11. Análise integrada final
A análise dos dados consolidados até dezembro de 2025 revela que mulheres idosas, residentes em bairros específicos como o Paecará, são as principais vítimas das denúncias registradas, com predominância de violações relacionadas à negligência e à violência psicológica.
O conjunto de informações evidencia a importância do monitoramento contínuo, da atuação territorializada e do fortalecimento das políticas públicas intersetoriais, especialmente voltadas à proteção da pessoa idosa, das mulheres e das pessoas com deficiência.
- Fortalecimento das ações de divulgação do canal;
- Preparação da rede de atendimento para períodos de maior demanda;
- Análise integrada com campanhas, políticas públicas e eventos sazonais.
Elaboração: Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Dados divulgados de forma estatística, consolidada e não identificável.
