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Canais de denúncia

Relatório Anual de Análise de Denúncias — Disque 100 e Ligue 180

539 denúncias recebidas em 2025, com 429 apuradas e respondidas

Fonte
Disque 100 / Ligue 180 — Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos
Abrangência
Município de Guarujá/SP
Período
Janeiro a dezembro de 2025
Situação da base
Consolidado em 30/12/2025

1. Visão geral do período

Até dezembro de 2025 foram registradas 539 denúncias provenientes do canal Disque 100. O maior volume ocorreu no início do ano, quando o trabalho foi iniciado e foram recebidas denúncias provenientes de anos anteriores. Observa-se variação significativa no volume mensal de registros, indicando oscilações tanto no acesso ao canal quanto em fatores externos como campanhas de divulgação, sazonalidade e maior conscientização da população.

Das 539 denúncias recebidas pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania em 2025, 429 já foram apuradas e respondidas à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos e 110 permanecem com processo aberto, aguardando apuração e resposta no sistema federal.

2. Distribuição mensal (julho a dezembro)

Denúncias recebidas por mês — 2º semestre de 2025
MêsDenúncias% do período
Julho128,0%
Agosto3724,7%
Setembro1711,3%
Outubro2416,0%
Novembro2718,0%
Dezembro3322,0%
Total do período150100%
  • Julho → Agosto: aumento expressivo de 208,3%, com crescimento abrupto no número de denúncias.
  • Agosto → Setembro: redução de 54,1%, queda significativa após o pico de agosto.
  • Setembro → Outubro: aumento de 41,2%, retomando a tendência de crescimento.
  • Outubro → Novembro: crescimento de 12,5%, elevação moderada.
  • Novembro → Dezembro: aumento de 22,2%, consolidando tendência de alta no fim do ano.

Agosto concentrou o maior volume do período (24,7%). Após a queda de setembro, observa-se trajetória contínua de crescimento entre outubro e dezembro, período que reúne 56% das denúncias do semestre, indicando possível intensificação da demanda no último trimestre. Esse comportamento pode estar relacionado ao agravamento de situações de vulnerabilidade, maior acesso à informação ou maior confiança da população nos canais de denúncia.

3. Perfil das vítimas — gênero

As mulheres concentram a maior parte das denúncias, representando 68,5% dos registros. O dado evidencia a permanência das mulheres como principal grupo impactado pelas violações monitoradas pelos canais Disque 100 e Ligue 180, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas de proteção, prevenção e enfrentamento às violências de gênero.

Gênero das vítimas (429 denúncias apuradas)
Gênero%
Mulher68,5%
Várias vítimas30,5%
Homem1,0%

4. Perfil das vítimas — cor/raça

Cor/raça registrada (429 denúncias apuradas)
Cor/raça%
Branca51,3%
Negra32,2%
Parda11,0%
Não especificado5,5%

5. Faixa etária das vítimas

A análise etária demonstra que as pessoas idosas são o grupo mais afetado, concentrando a maior parte das denúncias registradas.

Faixas etárias com maior incidência (429 denúncias apuradas)
Faixa etária%
65 a 69 anos14,5%
80 a 84 anos10,5%
60 a 64 anos10,5%
70 a 74 anos10,0%
Menor de 18 anos10,5%
18 a 24 anos10,0%

Esses dados indicam elevada incidência de violações contra a população idosa, especialmente nos grupos etários mais avançados, reforçando a necessidade de fortalecimento das políticas de proteção à pessoa idosa e de ações de prevenção à negligência e à violência doméstica e institucional.

6. Localização das ocorrências

Bairros com maior concentração de denúncias (429 denúncias apuradas)
Bairro%
Paecará24,7%
Enseada11,7%
Morrinhos7,0%
Jardim Boa Esperança6,1%

Também aparecem entre os territórios registrados: Centro, Vila Zilda, Santo Antônio e Monteiro da Cruz.

O bairro Paecará apresenta o maior volume de denúncias, respondendo por quase um quarto dos registros, o que o caracteriza como território prioritário para ações de prevenção, fiscalização e fortalecimento da rede socioassistencial. A concentração territorial sugere a necessidade de estratégias focalizadas, com atuação integrada entre assistência social, saúde, direitos humanos e segurança pública.

7. Tipos de violação denunciados

Tipos de denúncia (429 denúncias apuradas, múltiplas violações por registro)
Tipo de violaçãoRegistros%
Tortura psíquica29268,1%
Negligência29067,6%
Exposição de risco à saúde24156,2%
Maus-tratos18342,7%
Constrangimento17540,8%
Insubsistência afetiva14934,7%
Ameaça ou coação14934,7%
Violência patrimonial10925,4%
Abandono10123,5%
Exposição8018,6%
Agressão ou vias de fato7818,2%
Insubsistência material6715,6%
Difamação4811,2%
Calúnia255,8%
Injúria255,8%
Injúria racial e étnica194,4%
Liberdade de direitos individuais163,7%
Lesão corporal153,5%
Autonomia de vontade153,5%
Discriminação122,8%
Tortura física112,6%
Cárcere privado61,4%
Importunação sexual51,2%
Violência institucional51,2%
Estupro20,5%
Assédio sexual20,5%
Violência contra a mulher20,5%
Demais violações registradas—menos de 1% cada

Os tipos de violação estão fortemente associados a contextos de convivência familiar e cuidado, especialmente envolvendo pessoas idosas e com deficiência. A elevada incidência de tortura psíquica e negligência indica situações prolongadas de sofrimento emocional, abandono e ausência de cuidados adequados, demandando respostas contínuas e intersetoriais.

8. Grupos em situação de vulnerabilidade

Grupo/tema das denúncias (429 denúncias apuradas)
GrupoRegistros%
Pessoas idosas28967,4%
Pessoas com deficiência12328,7%
Mulheres10724,9%
Cidadão/família255,8%
População LGBTQIA+40,9%
Crianças e adolescentes20,5%
População em situação de rua10,2%

A predominância das pessoas idosas confirma o caráter estrutural das violações contra esse grupo, frequentemente associado à dependência, ao isolamento social e à fragilização dos vínculos familiares. A presença significativa de pessoas com deficiência e mulheres reforça a sobreposição de vulnerabilidades.

9. Procedência das denúncias

Resultado da apuração (429 denúncias)
Resultado%
Não foi possível apurar45,2%
Não procedente33,1%
Procedente21,7%

O elevado percentual de denúncias não apuradas evidencia desafios estruturais no processo de verificação, especialmente relacionados à ausência ou inconsistência de informações fornecidas. Ainda assim, o percentual de denúncias procedentes demonstra a relevância do canal como instrumento efetivo de identificação de violações reais.

10. Encaminhamentos realizados

Encaminhamentos e desfechos (429 denúncias apuradas)
Encaminhamento/desfechoRegistros%
Sem encaminhamento registrado15736,6%
Vítima não localizada6314,7%
Endereço não localizado5613,1%
CREAS4911,4%
CAPS337,7%
Vítima faleceu286,5%
Vítima mudou-se276,3%
CRAS255,8%
SESAU (USAFA, UBS e outros)255,8%
SEDEAS71,6%
DDM — Delegacia da Mulher51,2%
Polícia Militar51,2%
Demais encaminhamentos—menos de 1% cada

O percentual significativo de registros sem encaminhamento aponta limitações operacionais e impedimentos objetivos, como a não localização da vítima ou do endereço, óbito ou mudança de domicílio. Esses fatores reforçam a necessidade de qualificação dos registros iniciais e do fortalecimento da articulação com a rede territorial.

11. Análise integrada final

A análise dos dados consolidados até dezembro de 2025 revela que mulheres idosas, residentes em bairros específicos como o Paecará, são as principais vítimas das denúncias registradas, com predominância de violações relacionadas à negligência e à violência psicológica.

O conjunto de informações evidencia a importância do monitoramento contínuo, da atuação territorializada e do fortalecimento das políticas públicas intersetoriais, especialmente voltadas à proteção da pessoa idosa, das mulheres e das pessoas com deficiência.

  • Fortalecimento das ações de divulgação do canal;
  • Preparação da rede de atendimento para períodos de maior demanda;
  • Análise integrada com campanhas, políticas públicas e eventos sazonais.

Elaboração: Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Dados divulgados de forma estatística, consolidada e não identificável.